17 de jan de 2017

David Bowie (Low) - 40 anos de um Mito da Música Pop



Existiram no passado alguns eventos que de uma forma ou de outra foram responsáveis por mudanças e indicadores de novos rumos na música pop.  Foi assim com a explosão do rock'n'roll trazida por Elvis e os outros astros do rockabilly, foi assim quando os Beatles desembarcaram no aeroporto J.F. Kennedy em Washington D.C dando inicio a Invasão Britânica. Depois com o desbunde californiano o que desencadeou tempo depois no festival Woodstock. Na virada dos 60 para o 70 influenciados pela chegada do homem a lua, músicos da Alemanha e outros países da Europa deram inicio ao movimento do Rock Progressivo. Esses pontos de inferência representaram com o passar dos anos esse vetor de mudanças, algumas delas não só sonoras, como estéticas.

Em meados da década de setenta David Bowie já havia colocada sua impressão digital no mundo do rock, com uma série de discos que com o passar dos anos foram se sustentando como uns dos mais importantes do inicio dos anos 70. Sua imagem como artista iconoclasta já havia se espalhado por todo showbizz, as personas interpretadas por ele nesse período como o famoso alienígena Ziggy Stardust que ao chegar no planeta terra havia se tornado um astro do rock é um dos mais conhecidos e festejados pela critica e pelos fãs até os dias atuais.

Por volta de 1976 o artista morava em Los Angeles, vivenciando toda sua fama como mega astro do rock, como era de praxe todos os astros da música daquele período também tiveram que lidar com os problemas envolvendo substâncias químicas ilícitas, festas regadas a muita cocaína, produções de discos, shows lotados, imprensa aos seus pés. Tudo isso levaria o artista a um colapso nervoso-depressivo factual, ao perceber a chegada dessa situação limite, David resolveu mudar de ares, algo que o fez tomar a decisão de passar uma temporada em Berlim na Alemanha. Algo que ficou conhecido como a fase Berlim de David Bowie.


O músico se absteve das drogas e trouxe para fazer parte dessa nova fase de sua carreira, o velho amigo e produtor Tony Visconti e o grande tecladista Brian Eno ex-integrante da banda Roxy Music, há quem diga que Iggy Pop também esteve passando uma temporada com David em Berlim nessa época, depois do lançamento do genial "The Idiot" que fora produzido por David Bowie. Em 14 de Janeiro de 1977 foi lançado um dos discos mais emblemáticos da carreira do músico, Low possui em sua sonoridade muito do que o espírito do artista conseguiu absorver da cidade de Berlim. O disco representa um mergulho no underground, num mundo alternativo que era inversamente proporcional ao sucesso almejado pelo jovem David Bowie na virada da década. Como disse algum critico no período do lançamento "Um mar petrificado por sons de sintetizadores" se referindo as camadas sonoras imprimidas por Brian Eno durante todo o disco, o pulsar de um baixo elétrico que em diversas músicas profetizavam algo que viria ser uma tônica poucos anos depois, talvez o artista nem tenha se dado conta, mas com o lançamento desse disco seminal, jogou luz em caminhos que seriam trilhados por uma nova leva de músicos no inicio dos anos 80, mostrando que a música pop é bem verdade sempre de tempos em tempos consegue se movimentar e mostrar estéticas sonoras inéditas. Bandas como Joy Division, The Cure, Echoo And The Bunnymen e outras que fizeram parte do post-punk e da New Wave citam Low como momento preponderante para o inicio de seus projetos sonoros.

Por Natan Castro